terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Para te fazer sorrir.

 Sentei na mesa quase que eufórica, pedi uma cachaça para suportar aqueles 12 minutos infindáveis. Eu não vou conseguir descrever a alegria de lhe ver caminhar em minha direção e ninguém nunca vai entender o que sentimos naquele abraço, você me prometeu nunca esquecer dele. Eu te olhei tanto durante o almoço, te tocava só para ter certeza que você estava ali, eu estava boba, como qualquer outra pessoa apaixonada. A grande verdade do dia é que não almoçamos! Corremos para a clandestinidade. Enfim, a sós. Você se fez minha posse e eu já era sua. Sua mão, seus lábios, seus olhos, seus olhares, teus abraços, nossas palavras, nada foi menos, tudo tanto, tudo se derramando. Eu não conhecia, você me guiava. Eu sempre queria, você não faltava. O cenário não ajudava, mas eu imaginava que a gente corria como personagem de filme francês. Eu, como toda criatura apaixonada,  fantasiava. Espero que você tenha visto poética quando eu corri e entrei, no que na minha cabeça, era um bonde do ano de 1296.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Hoje eu chorei. Hoje eu chorei por tudo. Chorei por todos eles, por todas as desilusões, todos os amores e todos os amigos. Hoje eu chorei e não sabia exatamente porque, mas sabia que precisava, que merecia. Chorei pela vida, ppr ela existir e ser tão agridoce. Eu chorei por sua causa e por outros mil motivos.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Gotas

O amor me apareceu cinicamente no ponto de ônibus, eu dei um trago, depois disse não. Então, a vida me ofereceu, numa reunião de ex alunos da escola, um copo de amor .Eu bebi u m gole, sorri e educadamente recusei a bebida. Num dia ocioso, o amor me sorriu com um belo sotaque, um latifúndio de amor, mas eu logo disse não, sem provar. Madrugada a dentro alguém derramou em mim por descuido, um pouco de amor, as cinzas de seu amor antigo...gotas que ficam no fundo do copo. Eu fui  fundo sem saber que tão perigoso quanto se atirar ao mar, é tentar mergulhar em gotas.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ela sempre vai amar o próximo

Eu sempre vou amar o próximo porque chegará o dia em que suas palavras se repetirão.
 Ela vai amar o próximo porque conhecerá todas as suas máscaras.
 Eu amarei o próximo porque o seu sorriso não se modificará.
Ela sempre vai amar o próximo porque ela odeia lagoa.
 Odeia calmaria, prefere a incerteza do mar revolto.
Sempre amaremos o próximo, porque deus mandou.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O mar e o mundo

Os efeitos de um barco que naufraga na margem,  são menores que os efeitos de um barco que naufraga em meio ao índico, mas um barco que naufraga na margem não poderá dizer nada sobre o índico.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Doce

Numa noite tão escura quanto as outras, seu coração que doía sempre, doeu mais. Ela não sabia como agir depois da notícia, ela nunca sabe agir depois de nada, mas dessa vez parecia mais difícil encontrar a reação correta. Pensou em quebrar tudo, mas não teria dinheiro para repor os cristais de do quarto de hotel. Imaginou um assassinato com requinte de crueldade, mas lembrou-se que não tinha uma biblioteca tão vasta para 20 anos na cadeia. Deixar de se vingar não era uma opção. Ela só queria ter a certeza que ele sentiria um décimo da dor que ela sentira ao receber a notícia, ela só queria tornar a vida dela um pouco amarga, é nisso que se resume a vingança, arrancar a dor é impossível, ela sabe disso e retruca em pensamento
- eu só quero dividi-la com você, querido.
Corre e pega um táxi, desce no endereço que mais frequentou durante 4 anos, cumprimenta o porteiro e sobe com um sorriso sincero. Queima três livros raríssimos  dele e mais dois autografados, para começar. Vai ao computador e começa sua vingança, deletou tudo que ele havia produzido referente a sua tese de mestrado, foi a todas as mídias que ela sabia que ele guardava como segurança e fez o mesmo, checou os e-mails em que ela enviou para ela mesma e apagou. Sabia da sua neurose com essa tese, não enviara a nenhum amigo, o pseudo orientador só havia lido os resultados impressos num café há mais de cinco meses e de lá mesmo devolveu as folhas.Não restava nenhum dado sobre a tal pesquisa. Desejou imensamente ver a cara dele quando descobrisse. Deixou um bilhete: Espero que você ame o que você fez nesses dois anos de mestrado, pois terá de refaze-lo se quiser concluir.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A madrugada ataca


A madrugada é receptáculo de tudo que vaga
De tudo que paira, de tudo o que há

A madrugada guarda gozo e melancolia
É selvagem e segura sem ser contraditória, é carnaval no fim do dia
Despeja suas lástimas como açoite nos corpos culpados

A madrugada salta a janela do meu quarto
Quebra a vidraça, rasga multidões
Espalha seu coro por sobre os rojões do céu estrelado
Trabalho pintado da cor de morfeu

A madrugada devassa me encobre
Protege somente seus filhos
Do lado da cama me deito
Espero o refreio do clima neon...
Castigo a alvorada, mergulho na graça da morte do som.


Luzia e Bruno Cruz