sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O que resta de você em você mesmo.

Acordar cedo para lhe procurar na cama enquanto se mexe nesse quase despertar.
Eu não te achei.
Tomar café atentando em todos os detalhes, lhe procurando enquanto passa patê no pão.
Eu não te achei.
Te observar assistindo tv, quase desesperada por um pouco de você.
Eu não te achei.
Te olhar nos olhos, te procurar e não lhe encontrar doeu.
Foi você quem terminou comigo e foi embora, deixou só esse corpo que eu reconheço, mas com olhares que eu não entendo.

domingo, 2 de novembro de 2014

So-cor-ro

Socorro
eu só corro
socorro
gritam num só coro
socorro
eu sou como
um grande corredor
socorro
eles me atravessam
e não me enxergam.
socorro
eu só corro
em socorro
de mim mesma.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Hemorragia Interna

Na noite torta, sua pele dourada
era o que mais brilhava.
Na escuridão, ora do coração, ora da luz elétrica
eu admirava sua pele
lambia o seu peito que é meu.
Entre choro e gozo
a torta noite transcorreu.
Nem meu, nem seu.
A fina fresta de luz que iluminava
informava que já era hora de fim.
Todos os telespectadores boêmios
que adoram nossas histórias
estavam sedentos por um final
Triste ou feliz.
A bela noite de verão em que vivíamos, amanheceu.
Como toda manhã, amanheceu rasgando a noite
e ressaqueada. Embriagada de amor, amor jurado de morte.
Algumas manhãs sangram.
Essa sangrou como poucas, sangrou sem corte.
Sangrou e você não viu.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Pater Pisciano

Em algumas noites com imagens recortadas
eu via seus olhos tortos na beira da loucura.
Seus olhos tortos lá.
Sua esperança no oco, sempre deixou os comuns loucos.
A esperança decrépita  tornou as noites
com céu vermelho nas melhores lembranças de mim.
Sobre mim, eu lembro de você.
Essa crença no inexiste e tua expressão de profeta
Os sons  sufocados ou a vida sufocada
dentro de um travesseiro, coisas que foram bordando a menina.
Ancião da transparência, sempre turvo.
Sempre afeto, sempre inexato, sempre perto.
Ela lembra dos seus olhos firmes, firmes de amor.
 Menino e velho, paradoxo de si.







sexta-feira, 18 de julho de 2014

Mas o que resta para um amor que acabou sem estar acabado?
o pior do lugares! Sobra o morno, o meio, a metade,  o caminho incompleto.
Sobra o quase.
Aos amores turbulentos e caóticos sobra um belo fim.
Aos amores simples e belos, a eternidade.
Aos amores incompletos, sobra o ostracismo.
Ninguém lembrará, ninguém vai escrever sobre esse amor.

sábado, 24 de maio de 2014

Depois do fim, do desastre, do abandono...todo mundo vira poeta, todo mundo quer gritar baixinho sua dor. Eu devoro páginas em branco, acabo com todas elas com uma facilidade invejável. poeta se faz com dor e álcool, isso está em fartura por aqui. O poeta, a criança, o apaixonado, o abandonado e o religioso, são um só.

sábado, 17 de maio de 2014

com que roupa eu vou.

com que dor eu escrevo?
posso usar o fato de você ser meu primeiro amor
ou falar que é sempre assim comigo
vou dizer que estou me sentindo enganada
ou falar do quanto eu me entreguei á você.
com que dor eu vou lhe dizer sobre esse ardor?